Consumidor já sente os prejuízos dos temporais na região
Instabilidade causou perdas na lavoura e hortifrutigranjeiros sofreram aumento.
O cenário nas cidades da região ainda não está recuperado e já vem mais chuva por aí. E, junto com ela, o aumento nos hortifrutigranjeiros que foram prejudicados com os fortes ventos e a água da semana passada. A previsão é de nova chuvarada pelo menos até a quinta-feira.
A água ainda nem secou no pátio de casas inundadas da Vila Brás, nem todas as árvores que tombaram com o vento foram retiradas das ruas da cidade e equipes do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) ainda estão desentupindo os bueiros. Este é o retrato de São Leopoldo, onde móveis estão acumulados nas ruas por terem virado sucata depois das chuvaradas.
O serviços gerais Marcos dos Santos, 26 anos, sua esposa e quatro filhos estão abrigados no salão paroquial da igreja católica da Vila Brás há duas semanas. Ontem ele verificou a situação da sua casa, na Rua 14 Bis, Vila Brás, que continua submersa. "Perdi tudo que tinha de móveis, roupas de cama, roupas das crianças e até a geladeira'', conta Marcos.
MEDO - "Aqui não podemos mais dormir tranquilos à noite porque qualquer chuva representa perigo'', revela o serviços gerais José Oliveira, 33. Ele conta que alguém está sempre em alerta para acordar os que descansam em caso de enxurrada na Brás. "Tudo isso porque a casa de bombas não funciona'', reclama. Em frente à casa de dona Maria Araci Krupp, 68, calçados, tapetes e o sofá secavam com o calor de ontem. "Não sei se dará tempo de secar até a próxima chuva.''
O pátio da casa do diretor da Casa de Acolhimento Lírios do Vale, André Santos, 40, ainda está inundado. "Os móveis continuam sobre tijolos. Estou preparado para a próxima cheia'', conta. Enquanto os moradores da Brás temem com o mau tempo, a casa de bombas que drena a água do arroio Gauchinho para o Rio dos Sinos segue funcionando com três das sete bombas.
Na Rua Eugênio Emílio Daudt, na Feitoria-Madezatti, uma árvore que atingiu a casa de Jorge Luís Vieira Pereira, 30 anos, ainda não foi removida. "Foi um grande estrago. Não temos como reconstruir a casa'', afirma.
Já pode-se notar aumento de 10%
O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antonio Cesa Longo, afirma que a chuva em excesso é pior que a seca, porque na seca existe a possibilidade de irrigação. "Neste primeiro momento já se percebe cerca de 10% de aumento nas folhosas, sendo que o primeiro a aumentar o valor é o alface. Se parar de chover neste ritmo, o preço volta ao normal.'' Existe um teto para a elevação do preço da produção local. Se o preço subir muito fica mais barato trazer de outro Estado, e aí os agricultores daqui se adequam.
Dos cinco hectares com cultivo de cebola, tempero verde, alface e couve, o agricultor Valderi Rodrigues de Lemos, 48, calcula que perdeu 70% da produção. Por enquanto o agricultor está mantendo o mesmo preço no alface, o mais atingido pelo mau tempo, de 7 reais a caixa com uma dúzia. "Está muito feio para aumentar o preço, mas assim que as mudas jovens crescerem poderemos aumentar para compensar as perdas.''
Folhosas foram as mais atingidas
O engenheiro agrônomo da Emater/Portão Mário Jesus Padilha estima que as hortaliças, principalmente as folhosas como o alface, foram as mais atingidas pelas chuvas, com perdas avaliadas em 20% a 25% da produção. Além do alface, ele cita a couve, rúcula, chicória, repolho, radite, brócolis, tempero verde, couve-flor e tomate. "Há casos isolados em que o agricultor perdeu quase tudo. O aumento é certo nos preços, porque a procura continua e a oferta reduz. O alface já subiu no fim de semana.''
Em algumas localidades como Sertão Capivara, onde é centralizada a citricultura, ocorreu chuva de pedra aliada a enchente, o que prejudicou principalmente as árvores mais jovens. Nesta época a colheita se encerrou e a florada passou. Os frutos pequenos de laranja, bergamota e limão é que foram atingidos registrando perda de 15% a 20%. Grãos como milho e feijão também foram prejudicados em 10% a 15%. Já o aipim é mais resistente, mas, plantado em áreas mais baixas também foi perdido. Melão e melancia também foram prejudicados.
Feijão e milho ainda podem se recuperar
"Em excesso, a chuva não beneficia nenhuma cultura. Até o arroz que é produzido na água pode ter problemas'', diz o engenheiro agrônomo da Emater/Portão. Entretanto, os grãos como o feijão e o milho podem se recuperar caso o tempo melhore. Outras culturas podem atrasar a produção porque o agricultor terá de plantá-las novamente.
Padilha lembra que em novembro do ano passado houve seca ocasionando quebra de produção por falta de chuva. "Agora estamos vivenciando outra quebra de produção, mas por excesso de chuva.'' Em locais atingidos pelos vendavais nem o cultivo em estufas escapou do mau tempo, pois muitas estruturas estragaram com os temporais. A dica ao consumidor é pesquisar o preço dos alimentos e optar pelo mais acessível. "No caso das folhosas, todas foram atingidas, então, a dica é comprar a que subir menos.''