Flávio Viegas deixa a presidência da Câmara Setorial da Citricultura
Discussões em torno do endividamento dos citricultores e a saída da presidência do órgão do empresário e produtor rural Flávio Viegas marcaram a reunião da Câmara Setorial da Citricultura, na quarta-feira (18/11), em Brasília.
Viegas está deixando o cargo, ocupado desde julho de 2004, que será ocupado interinamente por Paulo Marcio Araujo, representante do Mapa - Ministério da Agricultura - e coordenador das câmaras setoriais.
"Saio na esperança de que problemas como falta de informação, concorrência, excessiva concentração e verticalização do setor industrial sejam resolvidos e avancemos para uma economia de mercado controlada", disse Viegas. Ele citou declarações do presidente Lula que defendeu o Estado forte, defensor dos "verdadeiros interesses nacionais" e indutor das políticas econômicas. "A experiência que vivemos na Câmara Setorial, onde o principal problema - a relação entre produtores e indústria - não apresentou nenhum avanço, é para mim a confirmação de que sem a presença reguladora do estado o mercado pode ser, e no nosso caso tem sido, altamente nocivo aos interesses do país", disse.
Viegas ressaltou a importância de ações para restabelecer a concorrência no setor, limitar a verticalização, fortalecer a organização e o associativismo dos produtores, estabelecer preços mínimos e incentivar a ampliação do mercado para a laranja e suco, criando um fundo nos moldes do Departamento de Citros da Flórida. "Vamos continuar o trabalho para instituir o Consecitrus, com o objetivo de assegurar a efetiva aplicação das medidas de regulação, que reduzirão a assimetria, assegurando ao citricultor e aos demais elos da cadeia produtiva uma participação justa na renda do setor, proporcional aos investimentos e aos riscos assumidos", disse.
Os representantes dos produtores de laranja pediram auxílio do Mapa para resolver a questão do endividamento do setor. "Hoje, o endividamento é um dos principais problemas dos produtores. Prorrogar dívida é só empurrar o problema pra frente, precisamos de soluções", disse Viegas. O secretário executivo do Mapa, José Gerardo Fontelles, pediu informações detalhadas sobre o perfil do endividamento e se comprometeu a estudar propostas e soluções para a questão.